quarta-feira, 7 de setembro de 2016

as pedras, a casa e casamento da montanha


da verdade no verde
há verdade na sombra
da verdade quando escrevo pedra
é a mesma que das pedras a casa e casamento da montanha
 
e em todos os nomes a caminhar sobre os meus pés o luar é areal
o céu é pomar onde há esporas de escritas de um inseto de braço incerto
a verdade para tantos nomes que sou pronome para o eu na parede de cal.
 
Leandro Sá
(06-09-2016)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

no sorriso uma lua que amanhece


não te digo como a casa
arde numa antiga fissura
e o quarto vazio
é abandono de um fio na vil mesura

mas sou lago que se agita na tua mão
estremeço e sou a pequena tontura
que se abre na vertigem da tua voz

ter-te no meu rio
e caminhar em abismo que perdura
ser desejo na cavidade dos teus abraços
será louca aventura?

da pele da minha estrada
aterrei neste mar e pensei ser feliz,
ao meu sussurrar neste entardecer,
quero o teu sonhar ser-me recanto, trazer
do teu sorriso uma lua ao amanhecer.

Di Vale Monteiro
(11-05-2013)

anoitecer dos símbolos


do incontornável desenho em tátil sombra
na palavra bordada da densa espessura na lenta brisa de poente
espreita do cume da montanha a besta que nos lambe o rosto no anoitecer dos símbolos.
para recompor o coração dou os lábios a uma flor que teima ter pétalas na telha onde se deita a alma.

Leandro Sá
(05-09-2016)