terça-feira, 8 de março de 2016

nas mãos a proa em terra lavrada


o teu rosto amanhecia no reflexo de um espelho de moldura escura a fechar o teu cabelo
a remendar dias encostados no chão era emenda o enxuto seio onde todo o pano foi preto
 
o pão na mesa era pássaro de penas amarelas, era proa em terra lavrada com unhas de sementes
 
ficou do lápis da tua dual caligrafia de magra cal de um título em sebenta de letras ausentes o preceito em aplanar o silêncio que foi lenço a guardar as tuas lágrimas
 
depois de a lua pendurar-se no focinho de um cão
foste o trono e o lastro para o respirar das noites em pesadas aspas
na tua ampla saia escura guardavas, dos meus olhos, os medos, e os frontais ventos no teu avental
da rama de um trovão, a fria voz a secar a lava e o cimento,
a noite era corpo sobre o muro no recorte de uma cruz e lança a cair nos teus ombros.
 
...
08-03-2016

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