sábado, 13 de fevereiro de 2016

a névoa de um letreiro


Di via partir os barcos, no seu dia de cansaço, tinha na ascendência do corpo a pausa de longa viagem e tinha em seus pesados pés o itinerário de um chão aplainado no desbaste de névoas.

Ficou tão distante que para voltar a si chamou o sonho, disse-lhe, ó sonho no fundo da floresta que perdes a flecha! Levas, nestes barcos, os meus fracos braços. Quero amar e já não posso, navegam, eles, demasiado longe no fundo da tua retina.

Do cais subiu à plataforma, a névoa a névoa de um copo vazio desabotoava a transparência do dia na sede que partia, e lembrou-se do mesmo esquecido letreiro que também era escadaria no fim do dia, encontrou-o ainda no atalho da árvore-de-judas que lhe cerzia a retina, agora só quero libertar o cansaço que alimenta os pombos.

Leandro Sá
(13-02-2016)

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