terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

a face no levante topográfico


a casa, o retalho de um telhado em apertada telha, é venda na tapada dos lábios virados à beira do vento na barriga de uma vela a espoliar o poente
 
o dia é transeunte sem traje
atalho do trânsito de uma aranha em patas de visor
é aresta que fica da teia, resto de uma veia vazada na vala de uma ceia
pôr o joelho do grafema no chão calcetado em macerado vaso de sereia é ser pente esbatido em pedras batidas numa eira.
 
a luz faz-se sombra, enrosca à miopia que engrossa a lente dentro da hora caída de deus
 
de sombra é a face que no levante em subterrâneo topográfico vaza a serpente no horizonte de cor e de púbis que afasta o nervo bastardo na suave pele da glande que fareja a noite.
 
anónimo
22-02-2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

a névoa de um letreiro


Di via partir os barcos, no seu dia de cansaço, tinha na ascendência do corpo a pausa de longa viagem e tinha em seus pesados pés o itinerário de um chão aplainado no desbaste de névoas.

Ficou tão distante que para voltar a si chamou o sonho, disse-lhe, ó sonho no fundo da floresta que perdes a flecha! Levas, nestes barcos, os meus fracos braços. Quero amar e já não posso, navegam, eles, demasiado longe no fundo da tua retina.

Do cais subiu à plataforma, a névoa a névoa de um copo vazio desabotoava a transparência do dia na sede que partia, e lembrou-se do mesmo esquecido letreiro que também era escadaria no fim do dia, encontrou-o ainda no atalho da árvore-de-judas que lhe cerzia a retina, agora só quero libertar o cansaço que alimenta os pombos.

Leandro Sá
(13-02-2016)