quinta-feira, 30 de julho de 2015

envelhecemos ao ombro de uma estrela


nas cortinas da noite vagueia o remorso das estrelas

nas cortinas da noite há o diálogo de um óbito onde a língua é torrão que excede o remo remanescente

nas palavras fica o torcimento no olhar de um poldro agrafado à mordedura de uma sebenta

a regra é casca em fermento de horas limpas de um horário ausente
a casa é telha do acervo na sangria de uma entorpecida semente de ópio e soro

é tão vivo este rasgão, de sermos crentes, que antecede a noite

é tão vivo este primitivo sono que no permissivo dicionário emenda-se a lenda
cativo é o chão que desperta o dia onde envelhecemos ao ombro de uma estrela.

Leandro Sá
(28-07-2015)