sábado, 19 de dezembro de 2015

do chão em apartado sangue


no corpo há um antigo castro esquecido no banco de uma oração
 
trazes a centelha do caminho onde mergulhaste o teu fôlego e capturaste o arrebatado silêncio da minha alma
 
é longínqua a linguagem simples do primeiro seio onde arde o sonho e a chave dourada na chaga de deus na língua materna ferida numa capela fechada
 
santifico a mão em cálida luz no caminho aberto no chão. Do chão, a força no aperto do sangue em acórdão de uma telha na semente do pão. Da luz, o beijo no manto em cômputo a decorar a tua porta de esquecimentos.
 
 
tanto importa...
a decadente distância da minha fala
aquela chave amole-se com o gume e na cadência da chama que já não abre casa
 
na água de deus há um anel que é curva na minha clavícula
que no corpo já não é corpo nem casa nem asa do teu pano.
 
Leandro Sá
(19-12-2015)

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