sexta-feira, 25 de setembro de 2015

a vara que esconde os batentes de uma página


I

sem nos ser dada a visita de uma farsa na desbastada vontade
vem pontuar o género que finta a farta farda na insolvência que abotoa a bondade
o tempo é dente que serve de esperança à residente plastia dos alimentos e em perene lume refunde a colheita da horta no lastro de uma eira
o implante é só raiz que ferve, embala e dilata a corola no fundo de uma dor pintada.

II

é no frio fino que gestos bravios
de rubros laços e cortantes marcas ágeis
caie o pano cerzido em viagem,
em magras palavras, uma marca de teia que emagrece as lágrimas
caie sobre o lado esquerdo
antecede o silencioso rio e uma geração sem voz

a noite é fuga de novo de um mordomo a coroar o promontório no caminho varão em plana palma
à porta do pensamento escorrem torrões que encolhem os pulmões

a fabular uma suave brisa de uma vara que esconde os batentes de uma página
onde se afoga a razão também se corta a língua.

III

omissas as fendas nas transparências, trafica-se o caminho das ausências
fica de outros dizeres desfeito na boca das mães
a linguagem vestida nas mangas abotoadas em vendas para os punhos da noite
e sem permissão para a verdade vende-se o frio para a pele na púbis da ignorância.

João Romão
(24-09-2015)

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