terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Sin Cos Tan - Sooner Than Now [2012]

 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Only Lovers Left Alive || Theory of Entanglement

 

sábado, 19 de dezembro de 2015

do chão em apartado sangue


no corpo há um antigo castro esquecido no banco de uma oração
 
trazes a centelha do caminho onde mergulhaste o teu fôlego e capturaste o arrebatado silêncio da minha alma
 
é longínqua a linguagem simples do primeiro seio onde arde o sonho e a chave dourada na chaga de deus na língua materna ferida numa capela fechada
 
santifico a mão em cálida luz no caminho aberto no chão. Do chão, a força no aperto do sangue em acórdão de uma telha na semente do pão. Da luz, o beijo no manto em cômputo a decorar a tua porta de esquecimentos.
 
 
tanto importa...
a decadente distância da minha fala
aquela chave amole-se com o gume e na cadência da chama que já não abre casa
 
na água de deus há um anel que é curva na minha clavícula
que no corpo já não é corpo nem casa nem asa do teu pano.
 
Leandro Sá
(19-12-2015)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Ruy Belo, “Ácidos e Óxidos” [excerto]


[..]
 
Será verdade que não tens ninguém?
Onde é o teu refúgio, ó sítio de silêncio
e sofrimento indivisível? É necessário
Vais assim. Falam de ti e ficas nas palavras
fixo, imóvel, dito para sempre, reduzido
a um número. Curriculum cadastro vizinhança
Acreditas no verão? Terás licença? Diz-me:
seria isto, nada mais que isto?
Tens um nome, bem sei. Se é ele que te reduz,
aí é o inferno e não achas saída
Precário, provisório, é o teu nome
Lobos de sono atrás de ti nesses dez anos
que nunca conseguiste e muito menos hoje
Espingardas e uivos e regressos, um regaço
redondo – o único verdadeiro espaço, o
sabor de não estar só, natal antigo,
o sol de inverno sobre as águas, tudo novo,
a inspecção minuciosa de pauis, de cômoros, marachas
Viste noites e dias, estações, partidas
E tão terrível tudo, porque tudo
trazia no princípio o fim de tudo
A morte é a promessa: estar todo num lugar,
permanecer na transparência rápida do ser
E perguntar será para ti responder
 
Simples questão de tempo és e a certas circunstâncias de lugar
circunscreves o corpo. Sentas-te, levantas-te
e o sol bate por vezes nessa fronte aonde o pensamento
– que ao dominar-te deixa que domines – mora
Estás e nunca estás e o vento vem e vergas
e há também a chuva e por vezes molhas-te,
aceitas servidões quotidianas, vais de aqui para ali,
animas-te, esmoreces, há os outros, morres
Mas quando foi? Aonde te doía? Dividias-te
entre o fim do verão e a renda da casa
Que fica dos teus passos dados e perdidos?
Horário de trabalho, uma família, o telefone, a carta,
o riso que resulta de seres vítima de olhares
Que resto dás? Ou porventura deixas algum rasto?
E assim e assado sofro tanto tempo gasto
 
Ruy Belo, “Ácidos e Óxidos” [excerto]

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

a mesa o pó o lenço a noite a chuva os punhos as palavras


a mesa o pó o lenço a noite a chuva os punhos as palavras__________peregrina é alma em indubitáveis códigos limpos da dupla semântica à procura do beijo lógico de uma linguagem irracional que abraça uma redação final de palavras em fatídicos punhais desfeitos num mural de lágrimas.
a chuva acorda a noite em desbaste dos punhos num laço de um lenço de pó e na mesa fica a escrita em trémula água dentro de uma uva.

Leandro Sá
(22-11-2015)

domingo, 22 de novembro de 2015

circunscrevo a palavra que corta


de esquecidos murmúrios de lagos e jardins
circunscrevo a palavra que corta
na amortalha preso a uma talha
de barro faz-se palavra

faúlha que se quer, parte e desata
por ser cria na mão de medusa
é lapso e é salto
por ser quebra fecha a porta

com ela a pedra e por ser pedra
circunscrevo o poço obscuro e escuro
o caminho de volta, as palavras
por ser mágoa é mágoa de gota que voa

o que dizer com ela
a este outro mais da palavra?
sem dizer diferente
digo palavra.

Leandro Sá
(22-11-2015)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

a vara que esconde os batentes de uma página


I

sem nos ser dada a visita de uma farsa na desbastada vontade
vem pontuar o género que finta a farta farda na insolvência que abotoa a bondade
o tempo é dente que serve de esperança à residente plastia dos alimentos e em perene lume refunde a colheita da horta no lastro de uma eira
o implante é só raiz que ferve, embala e dilata a corola no fundo de uma dor pintada.

II

é no frio fino que gestos bravios
de rubros laços e cortantes marcas ágeis
caie o pano cerzido em viagem,
em magras palavras, uma marca de teia que emagrece as lágrimas
caie sobre o lado esquerdo
antecede o silencioso rio e uma geração sem voz

a noite é fuga de novo de um mordomo a coroar o promontório no caminho varão em plana palma
à porta do pensamento escorrem torrões que encolhem os pulmões

a fabular uma suave brisa de uma vara que esconde os batentes de uma página
onde se afoga a razão também se corta a língua.

III

omissas as fendas nas transparências, trafica-se o caminho das ausências
fica de outros dizeres desfeito na boca das mães
a linguagem vestida nas mangas abotoadas em vendas para os punhos da noite
e sem permissão para a verdade vende-se o frio para a pele na púbis da ignorância.

João Romão
(24-09-2015)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

farol isolado no deserto


nas manhãs erguem-se do sono as mãos que varrem as estrelas
do corpo são as ondas de um cais que leva o destino a uma rota de outros caminhos

a palavra é a minha luz noturna onde desenho o farol isolado no deserto.

Leandro Sá
(15-09-2015)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

BRENDAN PERRY - Medusa

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

os dias fogem do barro


a barca abre o corpo e os dias fogem do barro

dá-me morada ao nome e colina à escrita
decreta uma porta para o vento que me confunde o choro em névoa do sonho
longe do fogo e da ara, traz-me, em selo de céu lavrado, um ventre para fala e a casa com a palavra dada.

Leandro Sá
(03-09-2015)

Brendan Perry - Sunset

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Fausto Bordalo Dias . Teresa Salgueiro - por este rio acima

 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Mazgani - Endless Night

 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

envelhecemos ao ombro de uma estrela


nas cortinas da noite vagueia o remorso das estrelas

nas cortinas da noite há o diálogo de um óbito onde a língua é torrão que excede o remo remanescente

nas palavras fica o torcimento no olhar de um poldro agrafado à mordedura de uma sebenta

a regra é casca em fermento de horas limpas de um horário ausente
a casa é telha do acervo na sangria de uma entorpecida semente de ópio e soro

é tão vivo este rasgão, de sermos crentes, que antecede a noite

é tão vivo este primitivo sono que no permissivo dicionário emenda-se a lenda
cativo é o chão que desperta o dia onde envelhecemos ao ombro de uma estrela.

Leandro Sá
(28-07-2015)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

na garganta de uma colina


o estreito chão espreita a gramática, mastiga e informa o postigo do castigo no cerco do pão
 
o grão no tato nunca cápsula, é dura espátula onde dorme a crisálida a larvar o nada
 
arde em tão estreito chão a luva que emagrece e cega o silêncio
 
o grito é véu apertado na garganta de uma colina
 
as lágrimas não percebem o céu, têm no verbo o redondo tempo de uma mó
 
a palavra é sopro de um largo torrão, escrita oculta no leito do tesão na mão de deus
 
e a voz que amo arde as narinas de uma imagem.
 
anónimo

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sophie Zelmani - Waiting for the miracle to come

 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

João Afonso - Já o tempo se habitua

 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Pink Floyd - Set The Controls For The Heart Of The Sun

 
 
Pouco a pouco a noite dá uma volta
Contando as flores que tremem ao amanhecer
As flores-de-lótus se apoiam umas nas outras desejando
Sobre as colinas a andorinha está descansando
Ajuste os controles do coração do sol

Sobre a montanha, reparando o observador
Rompendo a escuridão
Despertando a videira
Conhecer o amor é conhecer a sombra
O amor é a sombra que amadurece o vinho
Ajuste os controles para o coração do sol

Testemunhe o homem que delira à parede
Fazendo o molde de suas perguntas ao paraíso
Se o sol vai cair à noite
Ele vai se lembrar da lição de dádiva?
Ajuste os controles para o coração do sol

sábado, 9 de maio de 2015

domingo, 15 de março de 2015

ARTHUR H - Adieu tristesse