terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sentado no fim de uma âncora



desci a cidade no turbilhão rasgado pela penúria de um riso apertado numa escada rolante

triste e suplicante sulco no sangue que é batente para a porta aberta, a passagem que é ferragem de dentes nos átonos velozes de um carril

do negro túnel onde a eletricidade perfura a cidade, rompem-se luzes que não desvendam o que guarda o silêncio porque estas são sobras do suco da velocidade magnética sem saída

ah! de novo dentro da dobra genética de um olhar
hiato defronto de um ato sem ressalto que ressalva a tala alva
aconchego-me à pele do vidro, sou viagem no escuro da água das palavras, e a paixão é presúria nos círculos de horas douradas em penumbra azul

regresso para um oblíquo norte onde lentamente se afasta a serena oração a vaguear nos minutos
na lentidão do sono deambula o vulto, o prazer e uma pauta presa a pétalas sopradas no fim da tarde

deixei-me sentado neste fim de âncora
onde a vida casa-se com o circo que se inventa no desconto de um conto sem encontro.

Sandro Osório
(08-12-2014)