quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

o vento no bolso de um avental


a súplica, as lágrimas, em mãos
nas unhas, ainda, a massa do pão
no olhar a dobrar o chão, a oração
a paixão na expurgação do coração, o grão
nos olhos, o amanhã, as lágrimas.

quando se morre iluminamos os passos no empedrado de um ponto de fuga
e soterramos a voz num manto de sombra.

não é dente do tempo,
nem a água é peregrina na terra,
nem a vida é égua a germinar a semente.
é bússola para dentro do silêncio.

anda presa, a morte, às mãos de um apóstolo, um jumento a medir a distância entre o grão de areia e uma estrela.

o silêncio já não peregrina na terra.
no ventre, o silêncio, é rama do dia que agita o vento no bolso de um avental
o dia estende-se num estrado em gestos que afastam o pensamento na lisura de um espátula.

anónimo

Too many of my yesterdays - Peter Hammill

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Peter Hammill - A Louse is Not a Home