terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sentado no fim de uma âncora


desci a cidade no turbilhão rasgado pela penúria de um riso apertado numa escada rolante

triste e suplicante sulco no sangue que é batente para a porta aberta, a passagem que é ferragem de dentes nos átonos velozes de um carril

do negro túnel onde a eletricidade perfura a cidade, rompem-se luzes que não desvendam o que guarda o silêncio porque estas são sobras do suco da velocidade magnética sem saída

ah! de novo dentro da dobra genética de um olhar
hiato defronto de um ato sem ressalto que ressalva a tala alva
aconchego-me à pele do vidro, sou viagem no escuro da água das palavras, e a paixão é presúria nos círculos de horas douradas em penumbra azul

regresso para um oblíquo norte onde lentamente se afasta a serena oração a vaguear nos minutos
na lentidão do sono deambula o vulto, o prazer e uma pauta presa a pétalas sopradas no fim da tarde

deixei-me sentado neste fim de âncora
onde a vida casa-se com o circo que se inventa no desconto de um conto sem encontro.

Sandro Osório
(08-12-2014)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

os dias e o nome


Neste balcão de castanhas
 
cercado num cerro fechado, o ditado

          ...atado por um cadeado

          ...aliado de um atrelado

o olhar de bicho em nicho frio na pausa dos alimentos dilacera o letreiro, e a viagem de comboio move o absoluto silêncio da alma

           ...empurre-me

           ao alto, ...os santos

                 ...ao alto, as mãos num cântaro

                 deste cais adiado, vejo telhas, um vidro, revisto, visto, misto passo de um desabamento

neste tempo de vindimas sem terço

a brisa anda segura a um vime

no que prevejo, vejo, os dias a lamber as datas em falsos dedos.

João Romão
(s/d)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Tindersticks - Black Smoke

 

terça-feira, 15 de julho de 2014

M-PeX at TEDxIST

 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

a fragância nos ombros do grito


ascendeu no cárcere da brisa no largo da noite,
a ponte aberta no sono a romper todas as manhãs,
no círculo de cada hora em quebrada palavra a luz foi organza nos ombros do grito
 
a concordância da voz descreveu no corpo, a fragância, a lembrança no sonho
... um só instante a finitude infinita do amor.
 
...
02-07-2014

sábado, 10 de maio de 2014

Led Zeppelin - Stairway to Heaven



sexta-feira, 9 de maio de 2014

fecho de um testo


lado a lado, o olhar na troca de malhadas sombras em fachadas amanhadas enceradas no disfarce das manhãs
o dia, apertado nas aspas do sono, é fecho de um testo, lápis encostado ao vento na permuta por um texto caído de uma noite de telha.

na voz longínqua, a numeração do peito, permanece o nome na língua sossegada de uma criança, silenciosamente, atada a um manto de atalhos nos locais de uma achada.
e o corpo é beco de um dardo onde o pé detém um abraço.

onde está a pele com travo a saliva?
que ecrã é este? que secretamente descreve o desalinho de uma página
...terço que definha.

anónimo

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

o vento no bolso de um avental


a súplica, as lágrimas, em mãos
nas unhas, ainda, a massa do pão
no olhar a dobrar o chão, a oração
a paixão na expurgação do coração, o grão
nos olhos, o amanhã, as lágrimas.

quando se morre iluminamos os passos no empedrado de um ponto de fuga
e soterramos a voz num manto de sombra.

não é dente do tempo,
nem a água é peregrina na terra,
nem a vida é égua a germinar a semente.
é bússola para dentro do silêncio.

anda presa, a morte, às mãos de um apóstolo, um jumento a medir a distância entre o grão de areia e uma estrela.

o silêncio já não peregrina na terra.
no ventre, o silêncio, é rama do dia que agita o vento no bolso de um avental
o dia estende-se num estrado em gestos que afastam o pensamento na lisura de um espátula.

anónimo

Too many of my yesterdays - Peter Hammill

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Peter Hammill - A Louse is Not a Home