sexta-feira, 26 de julho de 2013

...,

Eu, mulher sem noite, levantei uma estrela caída

ando triste... triste,
um nada em nada, tropecei.

Ó pedra silenciosa!
em paciente lucidez, deixa-me ser pé deste teu corpo em tão ciosa pegada, que o tempo é rótula com a dor no fundo de uma floresta.

Di Vale Monteiro
(26-07-2013)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

o nome com a pele à porta


amedrontados escrevemos o nome na borda de uma hóstia posta com a pele à porta
agora vem com ele o vento que vem a monte preso ao maxilar no mamilo de um monstro
 
a terra tem a mão no socalco, tão encravado está o arado na monda que vai ao mercado a rodopiar no vestido de noite com sono morno.
 
João Romão
(11-07-2013)

terça-feira, 9 de julho de 2013

hora de uma pedra na mão fechada em sombria passagem


do desbaste de uma mastigação

...nunca bastante
o amadurecer do corpo em pedra
o acerejar do corpo da seiva na madeira
o corpuscular no fogo da lava de barro.
 
 
da opaca natureza de um sorriso
 
...nunca bastante
a senha no veio de magna dentro das mãos a pulsar um riscar
o caminho enigmático das cores a procurar um eu cromático
as imagens entre mãos fixadas nos instantes do olhar abertas sobre a retina.
 
 
do estuque de uma casa com telhado a pronunciar o eterno parêntese
 
...nunca bastante
o redesenhar no redimensionamento dos dias com destino no fim
o inventariar do chão submerso num gesso grego
a máscara moldada por fora e por dentro em conventuais  musas
a explicação do ouro no sopro para além de ser só a respiração de fogo
das figuras em fundo negro,  a fala aberta no silêncio dos cascos no fundo dos  barcos
o drama mumificado das vestes dos deuses
a libação dos signos na escrita rasgada na dureza da pedra.

foram dobras nas páginas arrumadas no vazio do esquecimento.
por dentro da mansidão o devolver de um precário aceno, preçário de um dever na plácida bondade, sempre, sempre sem diferença.

sempre aurora pesada onde escorrega o ponteiro, hora de uma pedra na mão fechada em sombria passagem, porta que se finge por um deslizar no oculto querer.
sempre argila desfeita, lançada em naufrágio na armadura da bondade.

o quotidiano é uma mesa no cheiro intenso dos lugares que são indiferença porque em cada lugar senta-se ele próprio o provérbio.

Texto
Sandro Osório
(28-11-2010)