domingo, 23 de junho de 2013

uma morada para o coração


Hoje, em plena noite, voltei a esta varanda sobre o antigo lugar de olhar o distante mar. Há uma língua no corpo das manhãs onde o divino desce sempre ao crepúsculo de uma ilha.
 
 
No perímetro da imensidão mora um coração com uma maçã e uma lágrima nos dentes. São longas as tardes de fogo de bronze a espiar o extremo azul do céu cingido por linhas retas, estradas de anjos ocultos em jatos que sobrevoam o coração, já não lhes posso escutar a distante voz, há um silêncio de mãos partidas.
 
Leandro Sá
(23-06-2013)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Ludovico Einaudi - In un'altra vita



segunda-feira, 10 de junho de 2013

A casa onde às vezes regresso


A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos


durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo


tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração

José Tolentino Mendonça, Baldios, Lisboa, 1999, p. 43.