terça-feira, 9 de julho de 2013

hora de uma pedra na mão fechada em sombria passagem


do desbaste de uma mastigação

...nunca bastante
o amadurecer do corpo em pedra
o acerejar do corpo da seiva na madeira
o corpuscular no fogo da lava de barro.
 
 
da opaca natureza de um sorriso
 
...nunca bastante
a senha no veio de magna dentro das mãos a pulsar um riscar
o caminho enigmático das cores a procurar um eu cromático
as imagens entre mãos fixadas nos instantes do olhar abertas sobre a retina.
 
 
do estuque de uma casa com telhado a pronunciar o eterno parêntese
 
...nunca bastante
o redesenhar no redimensionamento dos dias com destino no fim
o inventariar do chão submerso num gesso grego
a máscara moldada por fora e por dentro em conventuais  musas
a explicação do ouro no sopro para além de ser só a respiração de fogo
das figuras em fundo negro,  a fala aberta no silêncio dos cascos no fundo dos  barcos
o drama mumificado das vestes dos deuses
a libação dos signos na escrita rasgada na dureza da pedra.

foram dobras nas páginas arrumadas no vazio do esquecimento.
por dentro da mansidão o devolver de um precário aceno, preçário de um dever na plácida bondade, sempre, sempre sem diferença.

sempre aurora pesada onde escorrega o ponteiro, hora de uma pedra na mão fechada em sombria passagem, porta que se finge por um deslizar no oculto querer.
sempre argila desfeita, lançada em naufrágio na armadura da bondade.

o quotidiano é uma mesa no cheiro intenso dos lugares que são indiferença porque em cada lugar senta-se ele próprio o provérbio.

Texto
Sandro Osório
(28-11-2010)

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