quarta-feira, 29 de maio de 2013

falanges opacas


na asfixia do engenho da lava que lava a bata abotoada no adorno a levedar o endereço da ausência batida pelo tempo, vem o aditivo, em suave densidade, a cadência das manhãs, o coração no sono ténue de um deserto esquecido na lua.
do abandono do pano, onde se estende a noite na pele de algodão, escorre o nato sabão no toque das mãos.
 
à frente de espelhos turvos, das falas em lábios sobre os lavatórios, crustáceas fixam olhares nas rajada sorridente de uma tesoura, cativam assento sedentes em manuscrito de uma toalha de data avançada em taças de chocolate.
 
em sons impercetíveis do silêncio, de falanges opacas que despertam o embate da mastigação, há um alicate em serviço de uma boca vazia.
desfocada junto aos dentes, apertadas nas frases curtas balbuciadas como fábulas enraizadas nas árvores nascidas em chão barrento do passado, são lustrosas as sentenças sufocadas em máximas máculas.
o presente é sempre de graça no esconderijo do escorrimento na raiz do cabelo. outrora indiferença, hoje ausência de uma paciência alinhavada, prece encostada a coberto da bondade, gestação do legado no adereço do corpo, copula indolor no derrame oferecido no lado próximo da eucaristia do corpo.
 
Texto
Sandro Osório
(28-05-2013)

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