quinta-feira, 9 de maio de 2013

curta distância na asfixia de uma agenda de ausências


tanto acordo entre o tempo e a idade
tanto aprumo no plúmbeo torso das manhãs
 
em orvalhos matinais perdi vocábulos na antecipação das madrugadas dos nossos olhares
na destilação branda que expande o desejo no abismo dos lábios
aqueles vocábulos eram rosas que trocavam secretos beijos em raios de sol
 
no corpo dobrado sobre o joelho entregue ao silêncio
na tessitura da voz encoberta nas palavras onde tateio o sonho, a claridade do dia reparte a divisão do longo adiamento, e o arco do dia é tenda de uma tampa de garrafa
 
na tarde, sonhei-te, sonhei-me, um sonho sem portas ou pontes, esvoaçou-se em rasgões como de uma camisa abandonada, nele adormeci tão amplamente que não vi as paredes que nele construi.
 
o sonho é sempre contíguo à régua de contar os dias na função de medir a curta distância na asfixia de uma agenda de ausências.
 
Leandro Sá
(07-05-2013)

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