domingo, 21 de abril de 2013

as coisas figurativas e transparentes das miniaturas



voltei..., voltei na pausa cheia num cais vazio de uma cidade guarnecida em dias da lua fugidia.
 
o que vejo são os meus olhos nas coisas figurativas e transparentes das miniaturas
 
sou ainda relógio de pulso no mistério da voz de cisne dentro dos meus lábios.
 
do esquecimento, esqueço as térreas planícies do teu corpo em extensas tardes brancas de um livro lido no teu ventre, onde os lábios interrompiam a inadiável libido em resoluto clamor aberto na descuidada oração agitada dos lençóis.
a lavrar a rubra franja no coração, um pulsar de argonauta, é cancela fechada, do outro lado cela selada no teu olhar.
 
a voz anda ancorada nos teus ombros, a noite emudece o sonho e fico neste porto, embargo meus lábios, onde durmo no prefixo do sono na medida de um fato.
 
os dias são escorrimento da luz de uma meia invertida, uma minúcia de estima, casulo cerzido em ponto cruz na cirurgia da língua.
 
o que me une ao arrastão é a soma na soma de uma cruz nas asas de uma borboleta.
 
dobrei na fina camada do tempo a meticulosa tristeza em firmes margens repetidamente de serem de qualquer ser.
 
hoje, nem sei bem se é da mente ou tombo de um sentimento, as tuas pernas, se do sonho, sim, aqueles desenhos de seda no fechar cedo da voz sibilante de uma lira.
 
Leandro Sá
(20-04-2013)

Sem comentários: