segunda-feira, 22 de abril de 2013

dobra esquecida no olhar dos astros


As palavras escondem-se no corpo cansado
em tato da camisa, vem com ele o odor. tão secundário é o sudário deste pano, uma dobra esquecida no olhar dos astros.

os videntes sabem da minha morada cravava de avos onde os astros sopram a penumbra sobre as palavras perdidas e plantadas nos tarsos de uma rima.

os astros desceram à rua na astrologia da cidade.
o sorriso nos sábios transformam-se em assobio de assédio da adivinhação e prescrevem rasgos rasos na costura da noite.

procuro-me na saudade do que desconheço no que fui e das profecias em dedos de um avental diário arrumado nas costas do sono.

à meia-noite estou cansado para entender subtis receitas espiritualistas, e porque tudo é impreciso no desvio a desfiar o fuso em finais televisivos, reinvento-me em margens de sentir onde contratei um traje de ocultação.

refundo-me no nervo encoberto no nojo da noite.
...extremo [me], os nódulos das tábuas na casa da palavra desaguam na aba do cansaço.

Leandro Sá
(22-04-2013)

domingo, 21 de abril de 2013

as coisas figurativas e transparentes das miniaturas


voltei..., voltei na pausa cheia num cais vazio de uma cidade guarnecida em dias da lua fugidia.
 
o que vejo são os meus olhos nas coisas figurativas e transparentes das miniaturas
 
sou ainda relógio de pulso no mistério da voz de cisne dentro dos meus lábios.
 
do esquecimento, esqueço as térreas planícies do teu corpo em extensas tardes brancas de um livro lido no teu ventre, onde os lábios interrompiam a inadiável libido em resoluto clamor aberto na descuidada oração agitada dos lençóis.
a lavrar a rubra franja no coração, um pulsar de argonauta, é cancela fechada, do outro lado cela selada no teu olhar.
 
a voz anda ancorada nos teus ombros, a noite emudece o sonho e fico neste porto, embargo meus lábios, onde durmo no prefixo do sono na medida de um fato.
 
os dias são escorrimento da luz de uma meia invertida, uma minúcia de estima, casulo cerzido em ponto cruz na cirurgia da língua.
 
o que me une ao arrastão é a soma na soma de uma cruz nas asas de uma borboleta.
 
dobrei na fina camada do tempo a meticulosa tristeza em firmes margens repetidamente de serem de qualquer ser.
 
hoje, nem sei bem se é da mente ou tombo de um sentimento, as tuas pernas, se do sonho, sim, aqueles desenhos de seda no fechar cedo da voz sibilante de uma lira.
 
Leandro Sá
(20-04-2013)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

onde estás, corpo que me sonhas?


onde estás?
do meu sonho suado onde ato o sol, onde estás?
tu que me sonhas e que me tens em tua silhueta no corpo da noite
o sonho, a distância dos meus lábios separa as aparas nas sílabas ondulantes na tarde de sol
 
distante dos nossos lábios está o rio com o meu olhar imóvel em barcos encorados com idas deste cais sempre no mesmo  lugar, nele desce uma amarra da margem em partida.
 
onde estás, corpo que me sonhas?
aqui a cidade adia tumores no comércio da idade do Tejo
são muitos os mastros a vaguear em vago lastro para poder ter-te no lanço de um astro
 
como poderei amar-te se o corpo é recobro do um devoluto quotidiano feminino.
 
Di Vale Monteiro
(15-04-2013)