terça-feira, 26 de março de 2013

angra de um manto


Fui procurar-me
levei o andar no antigo amar deitado no mar
cruzei-me com ondas arrumadas nos grafemas de imagens antigas
a emoção adormecia em qualquer olhar de visita que parece, luz que transparece.
 
a chuva veio prostituir a baba na antiga cal que reveste as paredes húmidas da casa
a sala faz-se em finais noturnos com o céu nos lábios de uma fenda que não sustende a água aberta a sussurrar o que geme
a sala é cela onde se selou a pressa, a curvar horas abertas numa funda breve
sacudo a ferida de uma doce loucura, agora angra de um manto
conservo o futuro em verso contratado no compromisso do tempo incerto
certo, o futuro, com ele trancado nas sombras de uma perdida chama.
 
Leandro Sá
(26-03-2013)

Sem comentários: