segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Kontratenoři (lista de reprodução)



sábado, 2 de fevereiro de 2013

Presente infinito da língua


O tato um acaso, a manhã marcada em retangulares horas, vestido com o frio ao ombro, o visitante, ainda antes, o descer alegórico sem glória no vaivém do abandono da memória, o súbito chegar, o aflito diálogo, a rápida aranha, ligeiras pernas sobre a mesa, a dobra na alternância da voz, o cair da caneta, sem cunho nem rascunho no truque truncado na garganta da autorização para a infante dança, de novo o apanhar a conversa, nunca verso só verbo ao quadril da ida, tão-somente a escarpa e forma de falar, nos carris as palavras do pensamento desconexo, a escrita é a mente da página imaginada, sem perdas, a voz feminina sensualmente sem sexo, em hiatos adverte de imediato, todas as estações têm nexo, a camisa dobrada, as calças perdidas sem número, a sorte sonhada, amarrada ao letreiro, tabuleiro de partida, dois dedos distraídos sobre o pulso, o passar a ferro nos vidros da noite, o novo dizer de ontem, histórias pessoais, nos pisos de palácios esquecidos, as musas andam em caixas fechadas, na voz feminina um microfone finge, a sedução ou a provocação, o voltar, outro tempo, outro modo, sempre nós, presente infinito da língua, água de novo a passar com a educação dos dias apertado no laço, sempre lapso absorvente no solvente corpo, os dentes junto ao odor da pele, garfos ágeis no túnel da fome, seres humanos a mastigar em aquários, a alma já não respira, o espírito só é calo calçado.
 
Sandro Osório
(01-02-2013)