quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

precisamos do amanhecer nas crinas dos cavalos


mestre corista, que torre é a cor do tempo?
tanto fio, de tão longe, em ilustre anátema
não te enganes, agora, nesse tema
porque nas auroras vazas de chão raso
há sempre um pensamento dentro de um vaso,
e de repente, um pente de gente rente numa manhã em teu ventre.
 
senhor das horas largas
não falo da espingarda que comprime o som de uma bala
falo da seara de uma semente de gente.
 
do quintal em casa cava, no galope de uma pulga que te embacia a visão
alinhavas as rédeas à cintura onde estendes uma caça de animais no cativeiro dos teus dentes
prendes a maxila nas estreitas estradas
vedes estas veredas, redes ondes não tens mão
larga é a procura em larga vala,
onde rasgas este chão com a vara que te é batuta, a medir as azinhagas na taça de quem sempre a detém
 
não te foi educação o vazio que vem nas mãos de manhãs de frio
trazes o ensino doméstico de quem vende falsas ilusões.
 
senhor da carta de penhor
que pinhal é este,
em país das maravilhas de alcatrão?
que agora fechas num alçapão, rotações múltiplas em rodados de uma rodagem a arrolhar os caminhos deslizantes.
 
o fútil brilho de uma fria gema apertada num nó de uma gravata
onde tens uma pilha na mão
é ninharia que te abre a boca.
corres devagar no lagar do pio,
da massa do pão que te prende a fala,
quando queres reformar o cio,
vais ao pomar e semeias limões em pelos púbicos.
 
nesta terra presa em estandarte flamejante da saliva na asila de uma cruz,
sem encoberto nem vil odor,
venha, agora, a besta que nos atrai.
 
precisamos do amanhecer nas crinas dos cavalos
e vir com as mãos em  incenso macho
trazer o sangue nas narinas do tempo
o seio genuíno da verdade
desnudo sem a cínica mitra
nem métrica na bondade dos enganos.
 
João Romão
(17-01-2013)

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