terça-feira, 20 de novembro de 2012

julgo que a camisola que falas é de malha


Uma fruste portada entreaberta nas horas
sulcam a estrada abortada na divisão repartida do horário.
parte, o desdém em autocarro, na fraga de além
e confirma a fala no que se confina,
medida por uma notícia de um qualquer jornal,
dito na fantasia fechada do sorriso — é a vida.
tão líquido o sossego de uma cómoda com as gavetas do avesso
armadilha presa nas costas tranquilas do vento.
 
saltam as escama nas ventas do peixe, a oculta náusea.
parte da aragem tem viagem, o fio de tricotar
o caminho é sola feminina esquecida na vã bagagem.
 
afinal “julgo que a camisola que falas é de malha”.
 
Sandro Osório
(20-11-2012)