sábado, 29 de setembro de 2012

verso que poisa na escultura dobrada sobre o garfo


vejam como, como! bem...!
vem lácteos tactos
no difícil em ver esse_s mil,
 
um verso que poisa na escultura dobrada sobre o garfo
farpa em liso prato, fino pacto no telemóvel
da noite, estendem-se taxas, faixas, baratas, para o atenderem...,
— claro, se quiserem
 
era só para saber de um ver...,
em ébrio sol um lapso métrico de ler-me,
 
não tenho que saber
...o febril no sempre ser, em tenda de lona a esvoaçar, fenda outra vez na menstruação da serena tempestade.
 
ah! já sei, não vale pena
brilhante, este bri(lh)o amar_ante
este corrompimento em compressa, lata lenta no olfacto do fato
 
... consegui
já me sinto melhor, ...outra vez
sou quase feliz
as minhas palavras bordam a minha tarde sobre azul.
 
Texto
Di Vale Monteiro
(25-09-2012)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

é preciso ser-se...


Quero o teu sentir
                    com o estio das montanhas nas tuas mãos

vem com o teu andar
                       que te rodeia, o vento, que trazes na alma

deixa permanecer o teu olhar
                no porte da noite, ventre de um porto onde navegas dentro

do trémulo odor oculto no pomar dos teus ombros vem crescer dentro de mim metáfora sem sémen

sou uva do teu vinho

sou vulva nocturna na retina dos pássaros, trajo a branco e preto. levo as falas nas entrelinhas da palavra onde ato os meus pés nus nos teus beijos

no teu corpo venci a luz na sombra da lua nua

por fim, totalmente, nas minhas mãos a bússola perdida dentro de mim.

Texto
Di Vale Monteiro
(28-09-2012)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

a poesia nos lábios da lousa névoa


A poesia nos lábios da lousa névoa
por trás do profundo azul líquido
destronei o cinzento frio
a gustativa vacuidade na amarga manhã.
 
na minha frente
sobre o chão, o sol, reboca-me o deslizante nevoeiro
a ferocidade da sede endurecera o corrompimento,
movimento na boca do rio
margem petrificada da sebe dentro dos braços.
 
não, ...é como nada
nada, como nada
assim, a dor de cabeça
a rebocar-me os passos sobre chão
em superficial laço, vocação de deus no círculo do pão
a volatilizar num aro alado de um café,
aliado no tacto do sangue,
o copo sobre a mesa é slogan abandonado no fundo da retina
uma prensa de palavras presentes.
 
à noite os brilhos são a quadratura no novelo do sonho,
tempo coxo de uma peneira,
e é a mão que fecha o fogo
onde me procuro no equívoco manto negro dos pássaros,
uma ara que arde o alibi dos dias equivocando a morte.
 
de tanto olhar o mar importei uma invulgar rima que percorre errantes veias extraviadas de um poema
um predizer ermo da negação a invocar uma peregrinação.
 
Texto
Leandro Sá
(24-09-2012)

LOREENA McKENNITT - Dante's Prayer



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Jan Garbarek Group - Brother Wind March