terça-feira, 29 de maio de 2012

E agora, senhor pescador?


E agora, senhor pescador?
onde estão os teus mercadores comedores?
nos seus recatados lugares a vigiar o brilho da retina
abrem os dedos para segurar a tua faixa enfaixada numa batina
onde entalas o silêncio num ataviado fingimento,
é malho o molho de milho doce que amassas as aspas.
para que não se decrete pecado,
o servir peixe em sacra sacristia,
lambes a etiqueta das farpas em farsas nas migalhas da massa
escondes do peito o teu alçapão de silvas
nas alças de uma cerimónia de atado pensamento daninho.
para não te escapar do regaço as falas entre dentes
tens na mão um mensageiro da mente a folha de caixa que encaixa
para que se alarga o ligeiro pensamento de uma gente que alaga o ninho num funil em ninharia.

Texto
João Romão
(29-05-2012)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

o lapso, onde ato uma rasura



Escolho o talhe de uma nesga
              ...retalho, e escrevo-me

que seja a ausência medida inscrita,
no isento acento escrito numa ilha

em apertado pensamento de breve flecha, antes
          ...o lapso, onde ato uma rasura.


simplifiquei as pétalas do dia
sobre elas o sol, ainda batia
o tempo a entoar da porosidade
a fragância de uma rosa

a mim
voltei, trazia do caminho, dentro mim,
           ....em mim.




instituí a minha fundação para o acervo do erro
o resto é o contrato por uma mesa
espólio sem aprendizagem e sem ensinamento
arredondar a disciplina de uma vigia
servir-lhe de quantia
o consentimento na usura sem magia.

Nuno Teixeira de Sousa
23-05-2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

tanta safra esquecida sem acordo na fala


Os homens na cidade já não sabem a lida das palavras
tanta safra esquecida sem acordo na fala
perderam a medida da idade para lhes ensinarem a sinceridade
agora é-lhe a tez no burgo da voz
o caminho de uma montanha à porta de uma loja presa ao fio da gravata.
tanta vez redemoinho atroz
a pá que escava, e escava a foz
a guardar um peixe morto a lamber o isco da cegueira.

arrumam no coração, junto ao esmalte dos electrodomésticos,
os frutos que trazem a luz da fogueira a embaciar o vidro da noite.

depois amanhecem num dia limpo por homens presos a uma turquês
pela mesma voz da eletricidade sempre batida em lés.

Texto
João Romão
(10-05-2012)

nas cábulas do sono se faz o vocábulo


os habitantes da cidade levaram-me uma cariátide
              de uma musa desmontada e nua,
cidadã em domiciliário,
figura que sustenta o grito de uma lágrima.

...e
da escrita que se estreita no impulso sem pulso,
sobre os pelos que adormecem na tarde,
..............são das cábulas do sono se faz o vocábulo.

                da água que refresca
                 ...fresta que aquece
                o sangue que se esconde na fenda do cansaço.

 ...do que me esqueço tirei o casaco,
na lua que virá mais logo,
      se subtrai o resto dia
....no que me escurece.
...e
Nuno Teixeira de Sousa
10-05-2012

terça-feira, 8 de maio de 2012