sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso - Vejam Bem


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

o barro, o oleiro e a terra de lodo na farda de um sorriso


Na roda de oleiro, ver e amar é sempre o haver a dor no dever,
pregão adocicado na farda de um sorriso
acorrentado numa caixa a ser fotograma

exausto o peso do fecho
estende-se a rarefeita teia
em desfeitas veredas
seca o barro, agora, a figura de valeta
onde passa toda esta terra de lodo.


é sempre epílogo, o manto, a terra (des)feita de pássaros.


...falta-me fotografar, ainda, uma camélia... a branco e rubro.

Texto
Di Vale Monteiro
(13-02-2012)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

quartas-feiras iguais


Só quero libertar-me do cansaço que alimenta os pombos
onde levo o dorso a silhueta de um espartilho
das mãos que me aperta o corpo


comem nas tardes em jejum
a pizza, os pombos
do outro lado,
o mundo no seu disco de gerúndio,
sobre os infantes, em quartas-feiras iguais
semeiam os rios a fome, lugar de outras mães.

Texto
Di Vale Monteiro
(08-02-2012)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mozart - Lacrimosa


sábado, 4 de fevereiro de 2012

no teu rosto dormia o sono


no teu rosto dormia o sono
as palavras elas em silêncio também
eras tu em descanso nas mãos do teu rio
os nossos olhos cruzaram-se no instante da luz azul quando trocamos de comboio

queria-te dizer nesse tocar, uma silhueta bela do sono
...era tarde
era a linha de comboio na estação final

nas pétalas da tarde das camélias
no tempo sem fala dos gestos tímidos das mãos
guardamos o olhar na retina dos peixes.

Texto
Di Vale Monteiro
(03-02-2012)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

crua tempestade silenciosamente nua nas mãos dadas de duas luas


Entope a eclipse nua
a espinha na garganta que flutua
nos dois toques à porta da lua
a suspender o cimento das horas deste porte
a esquecida insuspeita sorte

numa afta que se perfura
...perdura
...dura
...fria pua
...grita, gira, migra
a crua tempestade silenciosamente nua nas mãos dadas de duas luas
a tropeçar no galope de um norte mote.

Texto
Di Vale Monteiro
(02-02-2012)

sem acrescentar nada ao soletrar da luz


No frio limpo da manhã, um barbear perfeito emoldurado à janela do sol retocado pela sombra de uns óculos escuros ausente do meu rosto de transeunte das mesmas horas no tempo de fazer dias nas viagens de comboio, vem sem acrescentar nada ao soletrar da luz que passa não passando senão comboio em viagem.
Só queria que o tempo daquela viagem fosse o tempo mais de outro alguém mais.

(tudo) o que aqui foi dito não foi dito por mim
...por aquele outro que vai comigo dispersando o meu pensamento dentro de mim.

sou a face em névoas onde o tempo inscreve-me um difuso pensamento de mim mesmo.

Texto
Di Vale Monteiro
(30-01-2012)