sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

cópula suave dos lobos


Ó cópula suave dos lobos!
na apóstrofe branda do lume sem candeia
invocas notas soadas a ecoar em suada terra
dos dedos caiem as nervuras estrangeiras na textura do traje apertado no despertar do sono, soma a inclinar horas arrumadas no sobrado.
exploras a memória do mundo,
na queda perpétua da esperança que vem dobrada no ranger de um fotograma, desfecho fechado com a língua domesticada nas paredes de um fresco.
 
sei da eira a macerar a mesa
que se alonga no aplanar dos relâmpagos presos nas mãos submersas no afogo de uma teia por uma vida de telha.
 
a escrita é fio na rede apagada de uma meada maior do que uma ilha
dos meus lábios um laço a cerzir o saco na sombra aprisionada dos ombros.
 
João Romão
(27-12-2012)

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