segunda-feira, 24 de setembro de 2012

a poesia nos lábios da lousa névoa


A poesia nos lábios da lousa névoa
por trás do profundo azul líquido
destronei o cinzento frio
a gustativa vacuidade na amarga manhã.
 
na minha frente
sobre o chão, o sol, reboca-me o deslizante nevoeiro
a ferocidade da sede endurecera o corrompimento,
movimento na boca do rio
margem petrificada da sebe dentro dos braços.
 
não, ...é como nada
nada, como nada
assim, a dor de cabeça
a rebocar-me os passos sobre chão
em superficial laço, vocação de deus no círculo do pão
a volatilizar num aro alado de um café,
aliado no tacto do sangue,
o copo sobre a mesa é slogan abandonado no fundo da retina
uma prensa de palavras presentes.
 
à noite os brilhos são a quadratura no novelo do sonho,
tempo coxo de uma peneira,
e é a mão que fecha o fogo
onde me procuro no equívoco manto negro dos pássaros,
uma ara que arde o alibi dos dias equivocando a morte.
 
de tanto olhar o mar importei uma invulgar rima que percorre errantes veias extraviadas de um poema
um predizer ermo da negação a invocar uma peregrinação.
 
Texto
Leandro Sá
(24-09-2012)

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