segunda-feira, 9 de julho de 2012

Acordo para a Trémula Água das Palavras


acordo para a trémula água das palavras
canto outro corpo
serei aquilo que for possível ser na solidão da casa
onde as aranhas interromperam o trabalho das teias
e nunca mais voltaram

em cada gesto agora petrificado
frente ao espelho descubro que sou o único a saber
quem és...lume e pó de cidade
tatuados no reflexo aquático do luminoso corpo

a sombra transparente dum veleiro fende a memória
tacteio-me para corrigir a realidade...entro no espelho
líquido a líquido procuro as mãos e o nome
sabendo como é sempre exterminadora a madrugada

...

Al Berto, "Acordo para a Trémula Água das Palavras", in O Medo 

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