terça-feira, 29 de maio de 2012

E agora, senhor pescador?


E agora, senhor pescador?
onde estão os teus mercadores comedores?
nos seus recatados lugares a vigiar o brilho da retina
abrem os dedos para segurar a tua faixa enfaixada numa batina
onde entalas o silêncio num ataviado fingimento,
é malho o molho de milho doce que amassas as aspas.
para que não se decrete pecado,
o servir peixe em sacra sacristia,
lambes a etiqueta das farpas em farsas nas migalhas da massa
escondes do peito o teu alçapão de silvas
nas alças de uma cerimónia de atado pensamento daninho.
para não te escapar do regaço as falas entre dentes
tens na mão um mensageiro da mente a folha de caixa que encaixa
para que se alarga o ligeiro pensamento de uma gente que alaga o ninho num funil em ninharia.

Texto
João Romão
(29-05-2012)

2 comentários:

Hanaé Pais disse...

Na pesca o cansaço,
de alaúde em funil.
Em pensamento daninho,
no lampejo do ninho.

Amassa a batina ao
som de um violino.
De farpa ao peito,
sem jeito, nem feito.
Amassa a alça do milho,
no fundo do seu leito.

Candeiro no ombro,
e brilho azul retina.
O peixe não escapa no molho da mente, que mente.
O sol e a lua num pensamento de gente.
E umas horas no frio/quente.

"Nós de Seda e de aço, as duas no mesmo ventre. o laço".

Sem o perfil de um traço,
que alcanço,no compasso.

Pescador de almas,
na caixa sem pedaço,
na confissão de um abraço.
Boa noite.

José Pires F. disse...

Muito bom, Nuno. Gostei mesmo deste texto.
Forte abraço.