segunda-feira, 30 de abril de 2012

se toda a poética fosse um lápis em flor


“________________se toda a poética fosse um lápis em flor seria rubro o gume quotidiano e fosforescente o rosto da palavra mais justa para o sonho. esse aonde chegas devagar e de onde partes visionário. suscito-te um desassossego viajante no espaço sem lei nem metáforas opacas. faço-te de novo e ainda a flor mais rara onde te habito sem máscara nem perdição. és o meu único inquilino do texto sempre aberto onde te declino o profano e o sagrado o profundo e o raso. o tempo todo a ser sempre recorte e nunca margem. a sumptuosa e flamejante coroa a génese e a ambição de um eco indestrutível o presente imaculado a boémia discursiva e esta legenda. onde o compasso não é de névoas nem de humidíssimos remorsos. moras em mim desde a primeira cicatriz. és a minha sandália. também em abril.messiânico.”

De Isabel Mendes Ferreira

6 comentários:

Hanaé Pais disse...

Muito interessante o seu texto. Dúctil.
Não sei como fez, mas quase sinto o relevo e a textura do cravo.

Anónimo disse...

mt obrgada! Se fosse...seria o "lapis" de toda a memória...Nuno!

Canto Turdus Merula disse...

Olá Hanaé Pais,

O extraordinário poema que publiquei é da Poeta Isabel Mendes Ferreira, de quem conheço excelente poesia e muito admiro e da autora posso-lhe sugerir como magnífica leitura a obra: As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar.

Grato por gostar, sempre bem-vinda.

Hanaé Pais disse...

Muito obrigada, já o li.

" convoco-te um cordeiro e uma flor. tudo muito pastoril.tudo muito ajoeirado no tempo. emergência do sagrado e gesto descalço.lá fora é só devoração-----------era uma vez o eco. antiquíssimo pastagem vertiginosa.
convoco-te. lenda e planalto.desígnio solidário.duas mãos e um abraço."

Uma flor.um tempo.uma lenda sagrada.mãos descalças.

Canto Turdus Merula disse...

Hanaé Pais,

agradeço-lhe, por este vir, em belíssimo permanecer.

Hanaé Pais disse...

Num fecundo devir, num porto acostável...
Boa noite.