segunda-feira, 30 de abril de 2012

se toda a poética fosse um lápis em flor


“________________se toda a poética fosse um lápis em flor seria rubro o gume quotidiano e fosforescente o rosto da palavra mais justa para o sonho. esse aonde chegas devagar e de onde partes visionário. suscito-te um desassossego viajante no espaço sem lei nem metáforas opacas. faço-te de novo e ainda a flor mais rara onde te habito sem máscara nem perdição. és o meu único inquilino do texto sempre aberto onde te declino o profano e o sagrado o profundo e o raso. o tempo todo a ser sempre recorte e nunca margem. a sumptuosa e flamejante coroa a génese e a ambição de um eco indestrutível o presente imaculado a boémia discursiva e esta legenda. onde o compasso não é de névoas nem de humidíssimos remorsos. moras em mim desde a primeira cicatriz. és a minha sandália. também em abril.messiânico.”

De Isabel Mendes Ferreira

sexta-feira, 20 de abril de 2012

dois sentidos ...sem sentido


os carros no meu olhar bailam sempre nos dois sentidos

não sei se de Michael Nymam ou Wim Mertens 
juntos no meu lugar de espera

não sei se ainda das palavras de Samuel Beckett

se da noite a limpar ainda o início do dia 
ou o permanecer à minha frente da sexy shop 
de uma aldeia em apneia
...a 100% afrodisíaca
...pronta


a discordar do sentido de partida na linha de um carris.


...do vento de espera
os homens, em tendas enroscados, vendem o ouro
ali sentados trocam as manhãs que fugiram dos espelhos.

Texto
Di Vale Monteiro
(01-04-2012)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Zazie - ça


a Di Vale Monteiro...

domingo, 15 de abril de 2012


“Por que nome chamaremos
quando nos sentirmos pálidos
sobre os abismos supremos?

De que rosto, olhar, instante,
veremos brilhar as âncoras
para as mãos agonizantes?

Que salvação vai ser essa,
com tão asas súbitas,
na definitiva pressa?

Ó grande urgência do aflito!
Ecos de misericórdia
procuram lágrima e grito

— andam nas ruas do mundo,
pondo sedas de silêncio
em lábios de moribundo.

               — — —

De longe te hei-de amar,
— da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.

               — — —

Dos campos do Relativo
escapei.
Se perguntam como vivo,
que direi?

De um salto firme e tremendo,
— tão de além! —
chega-se onde estou vivendo
sem ninguém.

Gostava de estar contigo:
mas fugi.
Hoje, o que sonho, consigo,
já sem ti.

Verei, como quem sempre ama,
que te vais.
Não se volta, não se chama
nunca mais.

Os campos do Relativo
serão teus.
Se perguntam como vivo?
— De adeus.”

Meireles, Cecília, “Canções - Inesperadamente” in Antologia Poética, Lisboa, 2002, pp. 238-240.

sábado, 14 de abril de 2012

Tracy Chapman - The only one