segunda-feira, 5 de março de 2012

os figos, as lágrimas e o silêncio do sangue


Os homens na voz profética dos deuses envelhecem o vinho

no obscuro caminho em nascituro suplicio nascente,

por uma besta vesga sulcam em firmes passos o mutismo da aveia,

envenenam a metamorfose alheia

nos turnos das horas arrastadas pelo chão sitiadas numa ceia

desarrumam as entradas das veredas a invisível cerca crava na cruz de uma teia.

em cimento brando na garganta da grama batida numa eira

vem o sábio do tempo vestido de armas que silenciam as lágrimas

trazer as palavras de semente plebeia

e estender as asas nos olhos fundos de feiticeira,

oferecer mel coroado de púrpura por uma rusga sementeira

vem de novo a desordem do corpo numa ara de lâminas oxidadas de fel,

a sede amanhecer nos ramos despidos de uma sombria figueira.

Texto
João Romão
(05-03-2012)

2 comentários:

Francisco Coimbra disse...

MULHER

Mulher
Unha com carne
Ligação feita ao Universo
Há maravilhas no mundo
E… como tu, só…
Repetições

(IN)TRADUZÍVEL

Uma composição
Sobre a mulher
Deveria ser
Mí(s)tica
E
Profunda,
Profundamente
Mágica e poética ;)

Registando o dia! Bjs

AnaMar (pseudónimo) disse...

tocante. as palavras bailam e o coração explode. parabéns pelo espaço que descobri através do fb, pela IMF