segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

hoje


hoje precisei de alguém
desta luz toda, do dia da indiferença
só estive a pensar em ti
tudo era ausente na minha revolta de sangue
mergulhei num mar de pessoas sem culpa

não bati à porta de ninguém

todos os sorrisos eram fundas fundas
de gente que esperavam em pórticos de pássaros com tremores

não me leias neste mar onde alicercei um cais de mãos partidas,
com a pele húmida de um morfema de onde me deserto,
para este mar... das não partidas

deixei de ter qualquer ofício nos lábios para longos rios sem foz

publico-me só a mim
a este eu, público de mim mesmo

oh público dentro de mim!
— hoje não vou prostituir-me aos dias
no silêncio de uma mão trémula encerrada na retina
vou caminhar ao sol
pedir asas de uma barca.

Texto
Di Vale Monteiro
(30-01-2012)

1 comentário:

Hanaé Pais disse...

Libertar-se dos dias.
Esperança num breve caminhar ao sol, na serenidade de uma barca.
Muito bem.