quinta-feira, 22 de setembro de 2011

só para mim a segunda hora com a luz a dormir – na bainha do tempo sem imagem


(a Dário Quadros)


só minha...

o acordar da luz a dormir,
na fina linha branca nos lábios da brisa sobre os poros,
            a segunda hora,
pelo acerto da língua nos discos dentro dos calcanhares,

...só para mim


as duas sombras dobradas no fisco do batimento das pálpebras
pelas demoradas horas mortas inflectidas sobre os joelhos
agora...
sem os espinhos atados em capilares nas bainhas das calças
que me atrasam as sobras no sobrado do isco esquerdo


com o despertador apressado na língua
levo a dormir o aperto deste equívoco.

Nuno Teixeira de Sousa
(a Dário Quadros)
15-08-2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

privo-me em finais descalço – na tala do tempo sem imagem


(a Joel Santa Maria)


as horas adiantam-se na asa do amanhecer da casa
... quando ceiam sobre o coração
varrem-me, elas, a paixão

deixam-me no fio da fria noite um corpo quente

doce desassossego do sonho,
do mais,
no sonho que não fica
por ser demais
sendo-o sempre
em omissos jamais

em ardor,
um crivo deserdando o sabor,
da palavra dada,
privo-me em finais descalço
... no cravo que vem em graça
cravado por um fio de pasto alado ao pastor.

antes que a noite desponte
a mastigação do crepúsculo
no salivar das nervuras no cio das palavras
salga o falso estuque branco dos dias
e vem, em surdina, urdir a teia
cerzir fissuras da desfeita casa.

Nuno Teixeira de Sousa
(a Joel Santa Maria)
21-06-2011