quarta-feira, 20 de abril de 2011

Romeiros a compassar a voz dos passos no perímetro da ilha



Desenhei tantas vezes o labor dos dias na terra,
sempre cavei uma sementeira das partidas,
e no epicentro de um imenso azul um arco de distanciamento.
Volto envolto nas dúvidas numa alva dádiva de uma dívida da vida sempre dividida,
nas esporas dos galos quebram-se os dias pelo cansaço triste de uma distante palavra,
há sempre afazeres a unir um ir e voltar onde a saudade não conhece a minha idade.

da janela do quarto de meus pais sobem na noite romeiros a compassar a voz dos passos no perímetro da ilha,
no caminho das pedras há um vaporoso silvo verde de enxofre
que estala o cio na usurpação do usufruto do corpo,
há uma obscura dança na sombra das mãos das mulheres à procura da masculinidade na noite onde nasce o macho, com dentes de ferro escondidos no ventre, para mapear o cheiro a sémen a peneirar a mente da lua.

na minha noite, da outra margem deste oceano, guardo um imenso gostar de alguém,
não sei porque te escrevo...
há muito desenhei uma cruz a segurar na sombra da porta dos dias.

engano-me neste altar de abeto a traçar rotas de afetos.
amanhã frente ao mar só levo daqui o meu deus total.

Nuno Teixeira de Sousa
S. Miguel (VFC), 19-04-2011

sábado, 2 de abril de 2011

osso do meu osso



Confia a magnificência

deste afiar de sombras _ _ _ de assombro


sobra da crença que se eleva

osso do meu osso


que me rendo
  _ _ _ arrendo-me
  _ _ _ dentro _ _ _ em eterno

Nuno Teixeira de Sousa
  01-04-2011