sábado, 26 de março de 2011

Texto de Sandro Osório





Do pudor desmesuro de antagonismos
intemperança do imortal desejo

... o desejo
em abrigo no puro e intacto silêncio
a não mais perder singular sentimento

ímprobo temor
por um sobressalto de interposição
irrompe ... corrompe
intersecta límpida chama
interrompe-lhe original batimento

crucial desejo
no (ad)verso se faz ilusório sonho
em contraponto dual, absurdo obverso,
o tão contraproducente paradoxo desejo
tão perto abraça-se ao silêncio

no pleno ter inteiramente

... deus!
leva-o às portas do caminho do tempo
e detém todo este perto e distante silêncio
no teu ignoto deserto.

Texto
Sandro Osório
(13-05-2010)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Texto de Sandro Osório


Perdido do lanço de uma âncora

Não…
não me leves a mão
deste desfeito do descompleto
por a luz querer um desacerto em mal
ser senão eixo
assim, curvado,
nos meus passos quase sempre desacertados
e ser então dardo.

neste jogo,
praxe de perdedor
sintáctica fatuidade de instantes
sentimentos que vem no vento jogando,
a sintaxe da vacuidade é uma passagem
de uma elipse do desejo sem espelho.

(em mim mesmo)
o aro do meu jogo
minuta que enluta a luta
rasto dissipável
no ínfimo brilho substancial de luz,
zéfiro de um tiro grave,
grito submerso na foz do rio.
...
onde os cavalos cospem
o cavo osso vertiginoso
perdido do lanço de uma âncora.

Texto
Sandro Osório
(20-03-2011)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Texto de Sandro Osório



Minha tua estima. Meu teu prazer

Tu que povoas teu meu fogo
chama onde oferecemos,
das térreas colinas os teus desejos,
dos azuis imensos as vagas do meu sonhar,
uma cidadela de antagónicos dias fatais
sobreviventes de errantes desejos

... o prazer,
flutua na senda que desperta
no ínfimo sinal da estima
a fragrância escura dos teus cabelos
fulgor orvalho no desejo teu
doce prazer nas minhas mãos semeia,
em meu teu corpo
a resoluta espiral
flama cálida silhueta
cúpula em desmedida cilada
onde ritualizo o meu amar.

Texto
Sandro Osório
(27-05-2010)