sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

um anzol oculto na boca


Ó vulto abandonado na tarde!
vens trajado de deus
em baldio tempo
...em vadio cais

rodopias num nó de gravata
a assoprar o vaivém do fumo que esvoaça pelo centro do mundo
é desse laço e mais nenhum
que te vem o desfraldar do cio
alvéolo comensal do pio
de um anzol oculto na boca
a rebocar o tumulto da sombra da tua rajada de ferro

trazes a infinitude dos números a reproduzir a infinitude do sexo,
ancorado na contagem dos dias onde catalogamos as aparas dos dentes

à tua semelhança inventariamos o lado vazio do finito.

em forno de triviais afazeres
no preciso dito, desdito na cápsula dos dias,
é sempre rectangular o vidro que escurece o que claramente mente

neste lugar de aliança
sou número que escora os números,
a ressoar uma balança,
nos nódulos de uma casa,
uma finança,
a desabotoar detalhes finitos,
... em desgaste sombrio.

Texto
João Romão
(30-11-2011)

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