sábado, 26 de novembro de 2011

Notas Gerais - um país de insectos em construção


no assíduo bater das asas dos insectos na casa de buxo

guardam as secretas bolachas junto aos  sons  da voz rouca que abrem nas manhãs sobre o frigorífico

entorpecem as tripas no inchar dos olhos a levitar em rios lacrimais

trazem na cadência da noite uma madeixa acesa

em toques na madeira de nós sobre a mesa

perdem as asas no declinar dos flancos

com a alcateia cercada numa teia

oleiam as frechas a espreitar as telhas da cegueira

ao perscrutar o silvo dos machos

lambem a ceia da noite acorrentada na eira a soprar silvos fechados numa candeia

circundam a bússola apontada à púbis na floresta em floração dos metais

quando esperam pelas festas nas nesgas de telenovelas

trocam o sal do mar pelo tempo seco das romãs

trespassam as pernas na sombra que arrastam pelo asfalto

ensaiam a libido escondida na temulência cintilante do alcatrão

e trazem a fulguração do corpo na gasolina que arde ao lado do chão



os insectos machos sentam-se em cavalos com tenazes

guincham dos cartazes as peles presas nos arganazes

largam a besta onde a bolsa pesa o mesmo que o coração

bebem whisky em esplanadas no sul do país

limpam a vida com a razão das pedras prontas nas mãos

espreitam as noites fechadas em espelhos nas portas dos carros

a lamber o brilho das coxas no tule em janelas estreitas esquecidas pelo escuro.


Texto
João Romão
(26-11-2011)

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