domingo, 20 de novembro de 2011

um distante olhar preso no horizonte



Fui a um pontão espreitar o sol
era tão concreto o desejo

      capturei

      (agora)
o momento mais a ousar o mais
querer sentir-te perto

liberto-me das pedras de sal
para poder falar amando-te

— amo-te na extensão da anunciação sem prefácios
... assim me vieste

... amo-te

vestindo-me
na dilatação do limite didáctico de uma porta sem passagem

é só passagem o abraço do vento
que vem no feno de um morfema
a filtrar a pronúncia da tempestade

...não
...não nomeio o meu amar

o perto é sempre o regaço
chão a semear-me as distâncias

talvez

... talvez o tempo do meu amar
seja só o tempo da duração do cair das pétalas
um distante olhar preso no horizonte
... tão dentro de mim
a tecer um fio de pedra ao sol.

Texto
Leandro Sá
(23-05-2011)

1 comentário:

A. disse...

que poema mais lindo...
parabéns ao Leandro.



a música do blog é belíssima.adoro.

beijos

A.