segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Eva perdida na maçã no cio de deus


Na orla descente das faixas enfaixadas
o enlaçar, o ar,
o sopro a respirar o vento
a correr nas costas das mãos
o coador nas sombras a desaguar na demão do provento
este derradeiro
onde vem senão um senão
sem mais outro jeito
com um grito nas cartilagens
do estonteante direito que prende o peito
em corpo de jumento
a figurar às costas o varão,
na farsa dos dentes,
a farda no isco a lamber o pensamento,
enfeito desfeito,
um crivo nas cartas de marear na oxidação do sono

um deus-pião sem perdão gira o poente dormente nas rótulas onde tiras a mão

quando desprende o sono o laço
seca o antigo regaço
morde o enlaço
dorme nos dentes os filhos do mito da maçã do oriente

foi pelos teus braços
que fechei os dias,
em tuas minhas fogueiras,
que a silente coloração do desassossego a lamber a lonjura da noite,
que girei a jura das palavras.

Texto
João Romão
(10-11-2011)

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