segunda-feira, 17 de outubro de 2011

vaga porta

 
não...

não quero mais ser pele de um poema
noite aberta a evadir
na boémia absurda na raiz dos dentes

que morra
as absortas horas
morra a onda que enrola a hora morta
a invadir a aorta
tufo enroscado no vento
luz que voa em névoa redonda
a inchar a invisibilidade convexa da razão
a retesar a mão que segura o pulsar do pulmão

todo o tempo é eixo de uma nora
a girar líquidas horas

que estale, então,
o veio do tempo
desta vaga porta.
 
Nuno Teixeira de Sousa
17-10-2011

3 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

revolta nas palavras.

um poema excelente.

beij

BlueShell disse...

"Morra a onda que enrola a hora morta..."
Primeira vez aqui...sublime...
Bj

© Piedade Araújo Sol disse...

apenas para deixar um

:)