quarta-feira, 14 de setembro de 2011

privo-me em finais descalço – na tala do tempo sem imagem


(a Joel Santa Maria)


as horas adiantam-se na asa do amanhecer da casa
... quando ceiam sobre o coração
varrem-me, elas, a paixão

deixam-me no fio da fria noite um corpo quente

doce desassossego do sonho,
do mais,
no sonho que não fica
por ser demais
sendo-o sempre
em omissos jamais

em ardor,
um crivo deserdando o sabor,
da palavra dada,
privo-me em finais descalço
... no cravo que vem em graça
cravado por um fio de pasto alado ao pastor.

antes que a noite desponte
a mastigação do crepúsculo
no salivar das nervuras no cio das palavras
salga o falso estuque branco dos dias
e vem, em surdina, urdir a teia
cerzir fissuras da desfeita casa.

Nuno Teixeira de Sousa
(a Joel Santa Maria)
21-06-2011

2 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Gostei do seu poema templo de palavras esculpidas com tempo no tempo do sonho " que não fica / por ser demais /sendo-o sempre / em omissos jamais ".
Muito belo o tapete de malhas e rendas buriladas como mosaicos no chão perfumado do templo das palavras.

Anónimo disse...

quando a beleza se faz assim resta.nos amordaçar as palavras vãs e re.amar o texto. seu.








beijo de


imf