sexta-feira, 26 de agosto de 2011

sou agora margem e vigia do teu arvoredo

 
Guarda-rios amanheceste cedo com a foice a secar a alma

já não há o iluminar do teu peito sobre água

na garupa dos dias ausenta-se o dourar no azul das tuas asas

já não vens guardar a água do meu rio

no teu bonito azul da tua partida fez-se a luz sombria

vesti-me de amarelo a procurar-te no sol que te levou

nas veredas do pinhal circularam os abelhões sem garfo e sem mel

abriram as palavras o refúgio silencioso da minha melancolia

os meus passos caminharam tristes no pasto seco do teu prado

sou agora margem e vigia do teu arvoredo



no voo dos pássaros, num bosque de princesa medieval, procurei a minha amada sonhada

— sei que não posso falar-te

    ... o dia, foi dia triste. Beijo.
 
Sandro Osório
25-08-2011

3 comentários:

Anónimo disse...

bendita fala!










(imf)

Eduardo Aleixo disse...

Belo texto e belas as palavras de água das águas com saudades das rosas das margens.
Tristes e belos versos com chão de prado e tecto de céu, estrelas acenando em sinal de esperanças, não convém que morram.
Por isso, silêncio, para que tudo dê certo: há feitiços na floresta.
Abraços.

A. disse...

que texto mais lindo...

beijo
Ana