quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Súmula do mito e uma pérola grávida a respirar na lua

 
Antes da inventariação do meu nome

no imutável pesar da intemporalidade

o sangue era desejo de amar



na contraluz da lua nua

em altares de alquimistas,

chacais onde a sede é sempre faminta,

fecha-se, no paramento dos números, o calar do tempo

na finitude dos dias um inextinguível sopesar

a forjar uma fórmula marcada no sangue

que simula o vigiar da moral,

nas oferendas em ara

da capital distância do sangue

um entoar do cândido mito,

em plácito liturgia de um manto



tanto fel, tanto mel

no cálice dos deuses

a renegar o que em éden estaria.

Leandro Sá
08-08-2011

6 comentários:

Anónimo disse...

Tanto MEL ao lado destas pétalas de sangue como sílabas de ouro. gaita. como gosto.







abraço.







imf.

Eduardo Aleixo disse...

Gostei do poema de Leandro Sá evocativo do mel da inocência e dos mares cheios de manhã antes do aparecimento dos criadores dos rituais divinos.Um abraço. Obrigado pela partilha.

Graça Pires disse...

Um poema muito profundo de Lenadro Sá. Gostei imenso.
Beijos.

de-todas -as-coisas disse...

"sob uma abóbada vermelha de veias e de folhas
reencontro-te
com todas as tuas lampadas e os teus odores secretos
com todo o teu vigor de pastora planetária
com as tuas mãos de terra com os teus olhos de horizonte"


Tadeo

A. disse...

mto obrigada pelas palavras deixadas lá no meu blog.
virei aqui com mais tempo e sobretudo com mais saúde.
beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

poema forte e profundo de Leandro Sá.

gostei!

um beij