segunda-feira, 22 de agosto de 2011

entre o tempo e o mar



No teu olímpico gesto, da vontade perfeita, de me amar
ofereceste-me a absoluta revelação do fascínio dos sons da harmonia
na translucidez repartida do doce vinho
desvendamos o porto da tua deslumbrante magia
perfeito azul da tua beleza só para mim
inventamos horas transbordantes
prado onde amamos loucamente
todo o imenso prazer dentro do teu intenso querer

em dias de desordenadas vibrações
imprudente cego desejo
desafiava o sorriso cínico
de ortodoxos passos traiçoeiros

todos aqueles dias
... sabíamos
cercados na inteireza da consciência
que viria um dia fechar as portas,
da sempre reclamada adiada verdade,
os dias puros do nosso amor puramente só para nós dois

magoámos a nossa secreta linguagem,
a luz da forte paixão,
na decifração iluminada da voz talhada na pedra
encerramos no mudo deserto da memória
um quadro dos dias rubros,
pedras feridas, buriladas sobre o peito

quando a luz do teu cabelo começou a dourar o azul da tua beleza
deixamos o tempo completamente fechar o nosso completo amar.

Texto
Leandro Sá
(11-06-2010)

1 comentário:

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema de entrega e partilha
e
no entanto
de despedida

muito belo na sua tristeza(?)

um beij