quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Batentes doentes, dentes e sorrisos



Em perigosas veredas
Levo comigo desejo de amar
Na lustrosa curva da luz do dia
O claro olhar ajuizado
Em sub-reptícia moral cínica e traiçoeira
Da candura nas voluptuosas voltas e arquivoltas
Erguem-se pecaminosos ornamentos em mantos morais

O pudor dissimulando o bem ausente
Na indumentária de alquimistas
Inversão da hipérbole no arco sem dardo
Gentilmente encenada
Acena a brandura conveniente
A quimera que se veste uma moral sonhada
Pregões duma parábola rasa

Nas arquitraves que guardam os números da passagem dos dias
Batedores de gestos e olhares
Policiam a estima do inventário do meu sangue
Perfuram o contorno do único verbo reflexivo do meu nome
Do trilho da respiração da minha pele
Perscrutam rumores do sonho na interdita chama
Certificam os brilhos flutuantes nas arestas do quadro dos meus dias
Analisam trajes morais na ondulação dos meus passos.

Texto
Leandro Sá
(27-05-2010)

2 comentários:

Anónimo disse...

em si. a passagem é um ritual extremamente reflexivo. decantado. como se tudo viesse de um longe "flutuante" para ser mais passagem para um futuro rútilo. ler este blog é entrar numa outra dimensão.





sou grata. muitoooooooooooooooooo.



beijo.




imf.

tb disse...

A viagem que se faz lendo...
Beijinhos de gostar.