quarta-feira, 24 de agosto de 2011

apetece-me inclinar o peito por dentro dos bosques

onde moro apetece-me desorganizar as ruas da cidade
lançar ao vento o manto da rota esquecida nas estrelas
sobre os mamilos do mundo
...recitar-me
citar o teu nome
e encher as mareantes estepes com o grito do meu amar

em aras de vestes de água benta
quero morder as bainhas famintas
na azia dos aventais maternos
algemando nos umbrais do mundo
o peso de um menino alado

apetece-me inclinar o peito por dentro dos bosques
mergulhar os passos na caruma dos pinhais
e zarpar na sufocante luz dos dias

sobre outros nomes mais,
de semeadores de metais,
quero enganar as impenetráveis plúmbeas sombras
nos amanhecer dos indistintos dias
quero arfar o escuro da restante noite.



quero emergir
dos músculos que movem os ossos na vibração do sangue
quero quebrar a palavra
do contador nas gavetas das horas
quero arder no levante em ameno vento,
do reparto pasto,
quando refaço o manto doméstico.

Leandro Sá
23-05-2011

2 comentários:

Graça Pires disse...

Um poema muito belo onde as emoções partilham com a vida todas as contradições. Gostei muito.
Um beijo.

Anónimo disse...

a beleza alti-rasante que nos descobre e nos toca.







(imf)