sábado, 2 de julho de 2011

Submerso nas tardias horas

 
o fim da tarde cansado 
anátema do pré-texto
de uma causa sempre usada
volatilizo-me na sentinela de uma cerveja
...não me interessa o frio fio em fiadas de juras.

gosto de levar a uma diáspora perdida,
as primeiras coisas ditas,
tão perto deste véu
afundo-me na textura do céu
na força que perdura
o nada é desejo minguante,
sangue rarefeito em fala dizente,
de um sonho em naufrágio
imigro na escritura de um corpo quente.

tateio a teia submersa tingida na lua fingida
presa de uma aranha no domínio selado
no egresso de uma metáfora a prostituir a língua ferida
em deriva a desfiar a carena de uma ilha

onde, na noite, não sei porquê,
em altar de abetos,
...morrem os cantos das aves
quero que o poema não se acabe na tardia hora
há sempre um gesto de flor
sempre flor maria
chama de nome
gesto de pedra
no esculpir do poeta
a reconstruir na pele
um arquipélago de anjos errantes
num mar de infância.

Nuno Teixeira de Sousa
29-06-2011

3 comentários:

Alma disse...

Belo poema!
Bjs

Z disse...

Gostei muito de ler. Obrigado.
z.

ArtemInvenite Manuel de Castro Nunes disse...

A cadência, a cadência. Isto é para cantar, em lhano.