segunda-feira, 13 de junho de 2011

reimportar o olhar…

 
que reimporta, o sonho, desimpedir...
 
ir no desavir aguerrir o desabrir
 
ir inclemente na desassombra a reabrir o vir
 
em áspero hastear...
 
pelo desfecho do arrastar do tardar
 
no desnervo flamejante descrente do descerco do verberar.
 
 
 
... são...
 
... os desacertos...
 
são os desacertos das palavras erráticas em defunção do olhar
 
no sangue que limpa o caminho caiado da aorta,
 
em reporta desordem,
 
vem no fogo desafiar a fissura no desfiar do que resta ser porta.
 
 
Nuno Teixeira de Sousa
05-05-2011

sábado, 11 de junho de 2011

Floriram por engano as rosas bravas

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha