sexta-feira, 6 de maio de 2011

Onde está o meu mar calmo?

 
Saio para noite
a escurecer o pensamento em mim
dispo a alma de tanta luz
agasalho-me com as sombras musculares do meu corpo
refundo-me na cava do espaço negro
aperto o corpo ao frio da noite
congelo o estúpido amar que guardo

Por dentro dos bolsos acerto a voz fechada nas mãos
– Estrela, aí no alto, deixa de olhar para estes passos nocturnos.
Esquece que agora aqui estou...
Sai daí.
Não me faças sonhar mais.

No porto da noite há sempre um copo
enchi-o com uma parte de mim
estava sozinho quando bebi este corpo
– e tu..., divino, ausentaste da eucaristia do sangue!

Olho ainda para o alto
em exílio segredo digo
– Por favor, não te faças distante.
Desce daí.
Diz-me onde está o meu mar calmo.

Sandro Osório
30-11-2010

3 comentários:

Graça Pires disse...

Ao ler o seu poema lembrei-me de Torga: "Falo do sacramento do silêncio. Da muda eucaristia da vida, quando no mundo não havia ainda palavras e ninguém profanava a terra que pisava...
Gostei do seu poema.
Beijos.

© Piedade Araújo Sol disse...

poema com estrofes muito boas.

e o mar nem sempre está calmo, por isso. nao tiveste resposta.

boa semana

beij

Isabel disse...

nunca sei de quem mais gosto.....se do Sandro Ósorio se do Nuno.... não importa.


importa sim que o meu gostar é genuíno e encantado. pla escrita diferente.que agradeço.


abraço Nuno!



imf